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Thursday, June 26, 2008

"A ESTRELA FLAMÍGERA"

"A ESTRELA FLAMÍGERA"


Catecismo ou Instrução para o Grau
de Adepto ou Aprendiz Filósofo
Sublime e Desconhecido
1766


Barão de Tschoudy


1ª Parte



P.1
Qual é o primeiro objeto de estudo de um Filósofo?
R.
A investigação das operações da Natureza.


P.2
Qual é o fim último da Natureza?
R.
Deus, que é também seu Princípio.


P.3
De onde provém todas as coisas?
R.
Da só e única Natureza.


P.4
Em quantas regiões está dividida a Natureza?
R.
Em quatro.


P.5
Quais são?
R.
A seca, a úmida, a quente e a fria; que são as quatro qualidades
elementais de onde derivam todas as coisas.


P.6
Como se diferencia a Natureza?
R.
Em macho e fêmea.


P.7
A que é comparável?
R.
Ao Mercúrio


P.8
Como se define a Natureza?
R.
Não é visível, ainda que opere visivelmente, pois é um espírito
volátil que atua nos corpos, e que está animado pelo espírito
universal, que conhecemos na Maçonaria sob o respeitável
emblema da Estrela Flamígera.


P.9
O que representa?
R.
O sopro divino, o fogo central e universal, que vivifica tudo o que
existe.


P.10
Que qualidades devem possuir os estudiosos da Natureza?
R.
Devem ser como é a própria Natureza, ou seja, sinceros,
singelos, pacientes e constantes; são as características essenciais
que distinguem os bons maçons, as que se inspiram os
candidatos desde as primeiras iniciações, preparando-lhes para
adquirir as qualidades necessárias para a classe filosófica.


P.11
A que devem prestar atenção?
R.
Os Filósofos devem considerar cuidadosamente se o que se
propõem esta em conformidade com a Natureza, se é possível e
realizável; pois, se querem fazer algo igual ao que faz a
Natureza, devem imitar-la em todos os seus detalhes.


P.12
Qual método deve seguir para produzir algo mais perfeito que o
produzido pela própria Natureza?
R.
Deve-se examinar em que e porque meio é melhorável; e se
concluirá que sempre o é por meios similares aos utilizados pela
Natureza. Por exemplo, se deseja desenvolver a virtude intrínseca
de qualquer metal, deveremos nos prover de uma natureza
metálica similar, e saber diferenciar o masculino e o feminino na
dita natureza.


P.13
Onde guarda suas sementes?
R.
Nos quatro elementos.


P.14
Com que o Filósofo pode produzir qualquer coisa?
R.
Com o gérmen da própria coisa, que é o elixir, ou a
quintessência, mais preciosa e mais útil ao artista do que a
própria natureza; antes de que o Filósofo tenha obtido esta
semente ou gérmen, a natureza para ajudar-lhe, estará pronta a
realizar sua parte.


P.15
O que é o gérmen ou a semente de qualquer substância?
R.
É a mais completa e mais perfeita decocção e digestão da própria
substância, ou melhor é o bálsamo do enxofre, que é o mesmo
que a umidade radical dos metais.


P.16
O que engendra esta semente ou gérmen?
R.
Os quatro elementos, pela vontade do Ser Supremo e a
imaginação da natureza.


P.17
Como operam os quatro elementos?
R.
Por um movimento contínuo e uniforme, cada um segundo sua
qualidade, depositando sua semente no centro da terra, de onde
é recebida e digerida, para a continuidade ser expulsada pra fora
pelas leis do movimento.


P.18
O que é que os Filósofos entendem pelo centro da terra?
R.
Um certo lugar vazio que eles são capazes de conceber, e de
onde nada permanece em repouso.


P.19
Onde, então, depositam e guardam as qualidades ou sementes
dos quatro elementos?
R.
No ex-centro, ou na margem entre a circunferência e o centro, na
qual, depois que for absorvido uma porção, expulsa o resto pra
fora, de onde se formam os excrementos, escórias, os fogos, e
inclusive as pedras da natureza, como a pedra bruta, emblema do
primeiro grau maçônico.


P.20
Explica-me esta doutrina por meio de um exemplo.
R.
Tomai uma mesa nivelada, e colocai em seu centro um vaso
cheio de água; rodeai o vaso com substâncias de distintas cores,
entre as outras, e particularmente a que contenham sal; procurai
que cada substancia esteja separada convenientemente das
outras, depois derramai água no vaso, na qual fluirá aqui e ali: se
formaram pequenos rolos, um encontrará a seu passo uma
substância de cor vermelha, e se tingirá dessa cor, outro passará
sobre o sal e adquirá um sabor salino; a água não modifica os
lugares que atravessa, porém as características desses lugares
modificam a natureza da água; do mesmo modo a semente
depositada pelos quatro elementos no centro da terra sofre
diferentes modificações, pois passa por diferentes lugares, canais
ou condutos de modo que cada substância é produzida segundo
as qualidades do lugar que passou, e se uma semente chegada a
tal lugar encontra terra e água puras, ela mesma resultará numa
substância pura, e o contrário em caso oposto.


P.21
Como e de que maneira os elementos engendram esta semente?
R.
Para compreender bem esta doutrina há de se observar que dois
elementos são densos e pesados, e os outros ligeiros, dois secos
e dois úmidos, um extremamente seco e outro extremamente
úmido, um masculino e outro feminino; cada um tende a
produzir substâncias similares a eles próprios em sua própria
esfera: esses quatro elementos não repousam nunca, se agitam
continuamente um a outro, e cada um exala de si e por si mesmo
a parte mais sutil; tem seu lugar de reunião no centro, e no
centro mesmo do arco, esse servidor da natureza, de onde se
juntam e mesclam suas sementes, se agitam e finalmente são
expulsados para fora. Se verá e se conhecerá este procedimento
da Natureza mais detidamente nos graus sublimes que
seguem a este.


P.22
Qual é a verdadeira matéria primeira dos metais?
R.
A primeira matéria propriamente dita é de dupla essência; não
obstante uma sem a outra não criam nenhum metal; a primeira e
principal é a umidade do ar, mesclada com um ar quente, em
forma de uma água gordurosa, que se adere a toda substância,
por pura ou impura que seja.


P.23
Como os Filósofos chamam esta umidade?
R.
Mercúrio.


P.24
Por quem é regido?
R.
Pelos raios do Sol e da Lua.


P.25
Qual é a segunda matéria?
R.
O calor da Terra, ou seja, um calor seco que os Filósofos chamam
de Enxofre.


P.26
Todo o corpo material se transforma em semente?
R.
Não, somente uma parte de 1/800 que está contida no centro do
próprio corpo, como se pode comprovar por exemplo no grão de
milho.


P.27
Que utilidade tem o corpo material para a semente?
R.
A de proteger-la de todo excessivo calor, frio, umidade ou
secura e em geral contra toda inclemência daninha.


P.28
O Artista que pretender reduzir todo o corpo material a semente,
supondo que possa fazer-lo, obteria por isto algum benefício?
R.
Nenhum; pelo contrário, seu trabalho seria totalmente inútil, pois
nada de bom pode ser feito ignorando nos processos da natureza.


P.29
O que deve fazer então?
R.
É preciso que limpe a matéria de todas suas impurezas: pois não
há metal, por puro que seja, que não tenha alguma impureza,
alguns mais ou menos que outros.


P.30
Como representamos na Maçonaria a necessidade desta
depuração ou purificação?
R.
Despojando o candidato na iniciação ao grau de aprendiz de
todos seus metais e minerais e despojando-lhe de forma honesta
de parte de suas roupas, o que é análogo a superficialidades e
escórias das que é preciso despojar a matéria para encontrar a
semente.


P.31
A que deve prestar a máxima atenção o Filósofo?
R.
O fim último da Natureza, e este fim não deve buscar-lo nos
metais vulgares, porque havendo saído das mãos da natureza
formadora, esse fim já não está nele.


P.32
Qual é a razão de tudo isto?
R.
Os metais vulgares, especialmente o ouro, estão absolutamente
mortos, enquanto que os nossos pelo contrário estão vivos e
possuem alma.


P.33
O que é a vida dos metais?
R.
Não é mas que o fogo, quando se encontram todavia na mina.


P.34
O que é sua morte?
R.
Sua morte e sua vida são um mesmo principio, pois morrem
também pelo fogo, mas se trata de um fogo de fusão.


P.35
De que maneira são engendrados os metais nas entranhas da
terra?
R.
Uma vez que os quatro elementos produzam sua força ou virtude
no centro da terra e depositaram sua semente, o Arké da
natureza, destilando-lhes, os sublima na superfície pelo calor e a
ação de um movimento contínuo.


P.36
O vento, destilando-se através dos poros da terra, Em que se
transforma?
R.
Se transforma na água da qual nascem todas as coisas, mas se
trata somente de um vapor úmido, do qual se forma o primeiro
principio de todas as coisas, e que serve de matéria primeira a
dos Filósofos.


P.37
Qual é, pois, esse primeiro principio, empregado pelos meninos
da Ciência como primeira matéria na Obra Filosófica?
R.
Aquela mesma matéria, na qual uma vez concebida não pode
mudar de forma.


P.38
Saturno, Júpiter, Marte, Vênus, o Sol, a Lua, etc., tem diferentes
sementes?
R.
Tem todos uma mesma semente; mas dependem do lugar em
que se originou; além do mais a natureza realiza sua obra de
procriação da prata antes que a do ouro, e assim com os demais
metais.
P.39
Como se forma o ouro nas entranhas da terra?
R.
Quando o vapor do qual falamos, é sublimado no centro da terra,
e passa pelas regiões cálidas e puras, e de onde um certo azeite
de Enxofre se adere as paredes, então este vapor, ao qual os
Filósofos denominam de seu Mercúrio, se une a esse azeite, se
sublimam juntos resultando uma substancia untuosa, que
abandonando o vapor e mesclando-se com o azeite vai sublimar-
se noutras regiões, que são purificadas pelo vapor indicado e nas
que a terra é mais sutil, pura e úmida; a substância resultante
então ocupa os poros dessa terra e juntando-se produz-se o
ouro.


P.40
Como se engendra Saturno?
R.
Dirigindo-se aquele azeite ou substância untuosa a lugares
totalmente impuros e frios.


P.41
Como se representa isto no processo de iniciação?
R.
Pela explicação da palavra "Profano", que substitui o nome de
Saturno, mas que aplicamos a tudo o que reside num lugar
impuro e frio, que é representado pela alegoria do mundo, do
século e de suas imperfeições.


P.42
Como representamos a obra e o ouro?
R.
Com a imagem de um Mestre Arquiteto, que atribuímos a
resplandecente magnificência do ouro e os metais preciosos.


P.43
Como se engendra Vênus?
R.
Com terra pura, mas mesclada com Enxofre impuro.


P.44
Que poder o vapor no centro da terra?
R.
O de sublimar continuamente o que é impuro, atraindo até si o
que é puro.


P.45
Qual é a semente da primeira matéria de todas as coisas?
R.
A primeira matéria, ou seja, a matéria dos "princípios primeiros",
nasce a natureza sem ajuda de nenhuma semente, ou seja, que a
natureza recebe a matéria dos elementos, da que engendra a
continuação da semente.


P.46
O que é essa semente?
R.
Não é outra coisa que um ar congelado, ou um vapor úmido,
que si não é fecundado por um vapor cálido resulta totalmente
inútil.


P.47
Como se produz a geração da semente no reino metálico?
R.
Pela ação do Arké os quatro elementos na primeira geração da
natureza destilam no centro da terra um certo vapor de água que
é a semente dos metais e ao que se denomina Mercúrio, não por
sua essência senão a causa de sua fluidez e fácil aderência a
qualquer coisa.


P.48
Por que este vapor é comparado ao Enxofre?
R.
Por seu calor interno.


P.49
Em que se transforma a semente depois da congelamento?
R.
No úmido radical da matéria.


P.50
De que mercúrio deve entender-se que estão formados os
metais?
R.
Do Mercúrio dos Filósofos, de modo algum do mercúrio vulgar,
coisa que não é possível.


P.51
Portanto, o que se deve tomar como sujeito de nossa matéria?
R.
Deve-se tomar a semente de só grão fixo, e não seu corpo
inteiro que se compõe de macho e fêmea vivos, ou seja de
mercúrio.


P.52
Que operação segue na continuação?
R.
Deve-se juntar elas, afim de que possam formar uma semente da
que chegam a procriar um fruto de sua mesma natureza.


P.53
O que espera o Artista nesta operação?
R.
Não espera outra coisa senão separar o sutil do espesso.


P.54
A que se reduz todo o trabalho filosófico?
R.
A fazer de um, dois e de dois, um,e nada mais.


P.55
Há na Maçonaria alguma analogia que indique esta operação?
R.
Basta a qualquer espírito sensível reflexionar sobre o simbolismo
do misterioso número TRÊS, sobre o qual se baseia toda a ciência
maçônica.


P.56
Onde se encontra a semente e a vida dos metais e dos minerais?
R.
A semente dos minerais é propriamente a água que se encontra
no centro e no coração do mineral.


P.57
Como opera a natureza com a ajuda da arte?
R.
Toda semente, seja qual for, não tem nenhum valor se por meio
da arte ou por via natural não é colocada numa matriz
conveniente, de onde receberá a vida putrefando a semente e
congelando o grão fixo.


P.58
Como é alimentada e conservada a semente?
R.
Pelo calor do corpo.


P.59
Como atua o Artista no reino mineral?
R.
Acaba que a natureza não tem conseguido consumar a causa da
crudeza do ar, na qual tem tampado os poros de cada corpo, não
nas profundidades da terra e sim na superfície.


P.60
Quê correspondência existe entre os metais?
R.
Para entender estas correspondências temos que considerar a
posição dos planetas e saber que Saturno é o mais distante de
todos, a este segue Júpiter, depois vem Marte, o Sol, Vênus,
Mercúrio e por fim a Lua. Temos que considerar que as virtudes
dos planetas não ascendem, e sim descendem e a experiência
nos ensina que Marte se converte facilmente em Vênus e Vênus
não se converte em Marte, Júpiter se transmuta por sua vez em
Mercúrio; porque Júpiter está mais alto que Mercúrio, que é o
segundo no firmamento, e que Saturno é o mais alto; a Lua é a
mais baixa; o Sol se mescla com todos, mas não é nunca
melhorado pelos inferiores. Se vê claramente que há uma
correspondência entre Saturno e a Lua, por meio dos quais se
encontra o Sol; em todas estas transformações o Filósofo deve
procurar administrar o Sol.



P.61
Quando os Filósofos falam do ouro ou da prata, e de onde os
extraem, se referem ao ouro ou a prata vulgares?
R.
Não, porque o ouro e a prata vulgares estão mortos, enquanto
que aos que eles se referem estão cheios de vida.


P.62
Qual é o objeto da busca dos Maçons?
R.
O conhecimento da arte de aperfeiçoar o que a natureza tem
deixado imperfeito no gênero humano e alcançar o tesouro da
verdadeira moral.


P.63
Qual é o objeto da busca dos Filósofos?
R.
O conhecimento da arte de aperfeiçoar o que a natureza tem
deixado inacabado no gênero mineral e chegar a encontrar o
tesouro da pedra filosofal.


P.64
Como é essa pedra?
R.
A pedra filosofal não é outra coisa que o úmido radical dos
elementos, perfeitamente purificados e levados a uma total
fixação, que faz com que opere grandes coisas no referente à
saúde; a vida reside unicamente no úmido radical.


P.65
Em que consiste o segredo para fazer esta obra admirável?
R.
O segredo consiste em saber transformar a potência no ato, o
fogo da natureza que se encontra no centro do úmido radical.


P.66
Quê precauções temos que tomar para não danificar a obra?
R.
Temos que ter grande cuidado em retirar as impurezas da
matéria, e não pensar em outra coisa que no núcleo ou centro
que contém toda a virtude do misto.


P.67
Por que esta medicina sara todo tipo de enfermidades?
R.
Esta medicina tem a virtude de curar toda classe de enfermidades,
não por suas diversas qualidades, e sim somente porque estimula
poderosamente o calor natural suavemente, enquanto que os
outros remédios o irritam com um movimento demasiadamente
violento.


P.68
Como me podeis provar a autenticidade da arte em relação a
tintura?
R.
Esta autenticidade se fundamenta primeiramente no fato da
matéria física ter a mesma natureza das que são feitos os metais,
como, a prata viva, que tem a faculdade de mesclar-se com eles
por fusão, uma natureza abraçando outra natureza que lhe é
semelhante; em segundo lugar nas que os metais imperfeitos não
são os tais porque sua prata viva ou mercúrio está cru, a matéria
física, que é mercúrio maduro e cozido, é um puro fogo, pode
comunicar-lhes a madureza e transmutar-los em sua natureza,
depois de ter extraído sua umidade, ou seja seu mercúrio, que é
a única substância que se transmuta, não sendo o resto, escórias
que são expulsadas na projeção.


P.69
Quê caminho deve seguir o Filósofo para chegar ao conhecimento
e a execução da obra física?
R.
O mesmo que o Grande Arquiteto do Universo empregou na
criação do mundo, observando como se ordenava o caos.


P.70
Qual era a matéria do caos?
R.
Não podia ser outra coisa que um vapor úmido, posto que só
havia água entre as substâncias criadas, limitado por um limite
exterior e que constituía num verdadeiro molde para receber as
formas.


P.71
Dai-me um exemplo sobre este último.
R.
Exemplo pode-se tomar das produções particulares dos mistos,
cujas sementes começam sempre por transformar-se num certo
humor, que é o caos particular, a partir do qual se traça como por
irradiação a forma completa da planta. Por outra parte há de se
observar que as Escrituras só fazem menção da água para o
sujeito material, sobre o qual era levado o espírito de Deus, e a
luz para a forma universal.


P.72
Quê vantagem pode tirar o Filósofo desta reflexão, e o que ele
deve observar especialmente na forma na qual o Ser supremo
criou o mundo?
R.
Em primeiro lugar deve-se prestar atenção na matéria na que foi
criado o mundo. Comprovará que dessa massa confusa, o
soberano Artista começou por extrair a luz, que nesse preciso
instante, dissipou as trevas que cobriam a superfície da terra,
para servir de forma universal a matéria. Compreenderá então
com facilidade que na geração de todos os mistos, se produz uma
espécie de irradiação e uma separação da luz nas trevas, na qual
a natureza é sempre imitadora de seu Criador. O Filósofo
compreenderá ao mesmo tempo que por ação desta luz criou-se o
firmamento, separador das águas superiores e inferiores; onde o
céu foi adornado com corpos luminosos; mas as coisas superiores
estavam muito distantes das inferiores, porque foi necessário
criar a Lua, como luminária intermediária entre o alto e o baixo,
na qual recebemos as influências celestes, as comunica a terra; o
Criador reunindo depois ás águas, fez aparecer o seco.


P.73
Quantos céus existem?
R.
Na realidade só há um; a saber, o Firmamento separador das
águas; não obstante, se admitem três: o primeiro, que se
estende por cima das nuvens, de onde as águas rareificadas se
detém e ascendem até as estrelas fixas; no espaço de onde se
encontram os planetas e as estrelas errantes. O segundo, é o
lugar das estrelas fixas: e o terceiro, é o lugar das águas
celestes.


P.74
Porque a rareficação das águas se produz no primeiro céu e não
ascende a mais além?
R.
Porque a natureza das coisas rareficadas eleva-se sempre até o
alto, e porque Deus, através de suas leis eternas, tem assinado a
cada coisa sua própria esfera.


P.75
Por que todo corpo celeste gira invariavelmente ao redor de um
centro sem desviar-se?
R.
Isto é conseqüência do primeiro movimento que lhe foi
imprimido, da mesma forma que uma massa pesada suspendida
por um cordão, girará sempre igual, se o movimento é sempre
igual.


P.76
Por que as águas superiores não molham?
R.
A causa de sua extrema rarefação; um químico sábio pode tirar
mais proveito da ciência da rarefação que de qualquer outra.


P.77
De que matéria está composto o firmamento?
R.
O firmamento é propriamente o ar, cuja natureza é muito mais
conveniente para a luz que a água.


P.78
Depois de haver separado as águas do seco e da terra, que fez o
Criador para dar lugar as gerações?
R.
Creio numa luz particular destinada a esta tarefa, que situa no
fogo central, suavizando este fogo com a umidade da água e o
frio da terra, a fim de reprimir sua ação e fazer que seu calor
fosse mais conveniente para os desígnios de seu Autor.


P.79
Qual é a ação do fogo central?
R.
Agita continuamente a matéria úmida que lhe é mais próxima,
extraindo um vapor que é o mercúrio da natureza e da primeira
matéria dos três reinos.


P.80
Como se forma o Enxofre na natureza?
R.
Pela dupla ação ou melhor a reação deste fogo central sobre o
vapor mercurial.


P.81
Como se faz o sal marinho?
R.
Se forma pela ação desse mesmo fogo sobre a umidade aquosa;
então a umidade do ar que está encerrada é exalada.


P.82
O que deve fazer um Filósofo verdadeiramente sábio, uma vez
que compreendido o fundamento e a ordem que observa o
Grande Arquiteto do Universo para a construção de tudo o que
existe na natureza?
R.
Deve ser, na medida que possa, um imitador fiel de seu criador;
em sua obra física, deve fazer seu caos tal como foi feito no
princípio; separando a luz das trevas; criar seu firmamento
separando as águas superiores das inferiores, e cumprir
perfeitamente, seguindo o caminho indicado, toda a obra da
criação.


P.83
Com que se realiza esta grande e sublime operação?
R.
Com um só corpúsculo ou pequeno corpo, que não contém, por
assim dizer, mais que escórias, abominações, mais do que se
extrai UMA CERTA UMIDADE TENEBROSA E MERCURIAL, que
compreende em si tudo o que necessita o Filósofo, posto que não
busca mais que o VERDADEIRO MERCÚRIO.


P.84
De que mercúrio deve servir-se, pois, para a obra?
R.
De um mercúrio que não se encontra como tal na terra, e sim
que se extrai dos corpos, e não se trata em absoluto do mercúrio
vulgar, como se tem dito.


P.85
Por que este último não é adequado para nossa obra?
R.
O Artista deve saber que o mercúrio vulgar não contem em si a
quantidade suficiente de enxofre e, por conseqüência, deve
trabalhar sobre um corpo criado pela natureza, na que ela mesma
juntou o enxofre e o mercúrio, aos quais o Artista deve separar.


P.86
O que deve fazer a seguir?
R.
Purificar-los e juntar-los de novo.


P.87
Como denominais esse corpo?
R.
Pedra bruta, ou caos, ou hylé.


P.88
Trata-se da mesma pedra bruta cujo símbolo caracteriza nossos
primeiros graus?
R.
Se, é a mesma em que os Maçons trabalham desbastando, e da
qual tentam arrancar as escórias; esta pedra bruta é, por assim
dizer, uma parte daquele primeiro caos, ou massa confusa
conhecida, mas desapreciada por todos.

1 comentários:

Marcio Lacerda said...

Nossa, eu estava a tempos atrás desse texto, por conta da menção a ele feita num livro de Eliphas Levi. Muito grato cara. Se vc tiver disponível o texto Philosophumena de Simão O
Mago postae. Abçs!!!